17 dezembro 2007

||||°°°°°°°°|||||

Eu já vi tudo, eu vi as árvores,
Eu vi as folhas de salgueiro dançando na brisa
Eu vi um homem matar seu melhor amigo
E vidas que se acabaram antes de serem vividas
Eu vi o que eu era - eu sei o que eu serei
Eu vi tudo - não há nada mais para se ver

Você não viu elefantes, reis ou Peru!
Estou contente de dizer que tive um coisa melhor para fazer
O que sobre a China? Você viu a Grande Muralha?
Todas as muralhas são grandes, se o telhado não cair!

E o homem com quem você se casará?
A casa que você compartilhará?
Para ser franca, eu realmente não me importo...

Você nunca foi às Cataratas de Niagara?
Eu vi água, é água, isso é tudo...
A Torre Eiffel, o Empire State?
Meu pulso estava tão alto no meu primeiro encontro!
A mão de seu neto como ele brinca com seu cabelo?
Para ser franca, eu realmente não me importo...

Eu vi tudo, eu vi a escuridão
Eu vi o brilho em uma pequena faísca.
Eu vi o que eu escolhi e eu vi o que eu preciso,
E isso é o bastante, querer mais seria ganância.
Eu vi o que eu era e eu sei o que eu serei
Eu vi tudo - não há mais nada para se ver

Você viu tudo e tudo viu você
Você sempre pode revisar por conta própria na pequena tela
A luz e a escuridão, o grande e o pequeno
Há pouco se lembre de que - você não precisa de mais nada
Você viu o que você era e sabe o que você será
Você viu tudo - não há mais nada para se ver

[I've seen, bjork]

En un surto de loucura descobri como é dificil viver na lucidez


31 outubro 2007

°°°

"Cantos serenados
cruzam etéreos crepúsculos.
Nuvens douradas
pastam perfumes seculares
em seus altos caminhos.
Sonhos naufragados
atravessam espelhos, horizontes,
borbulham baixinho:
A poesia da rosa
é seu espinho."

(fabio rocha)

09 outubro 2007

19 setembro 2007

Ouro, prata, jóias...Terra, montões de esterco.
- Gozos, prazeres sensuais, satisfação dos apetites...Como uma besta, como um mulo, como um porco, como um galo, como um touro.
Honras, distinções, títulos...Balões de ar, inchaços de soberba, mentiras, nada.

13 setembro 2007

°°° ° ° °°

As coisas geralmente caem ao nosso redor
feito simples folhas secas ou pétalas de rosas.
Ou feito bombas.
A gente tem a opção de escolher
dentre uma lista de coisas não escolhidas.
Se um dia você descobriu algo
que te instiga a ir atrás
Escreva-o.
Marque num papel, antes que esqueça novamente
como tantas outras coisas
que ja despertaram seu sentimento amoroso
mas que foram esquecidas
por que as situações que caem
lhe trouxeram novas emoções.
E o fez esquecer



(gabí)

05 agosto 2007

VOLÚPIA IMORTAL

Cuidas que o genesíaco prazer,
Fome do átomo e eurítmico transporte
De todas as moléculas, aborte
Na hora em que a nossa carne apodrecer?!
Não! Essa luz radial, em que arde o Ser,
Para a perpetuação da Espécie forte,
Tragicamente, ainda depois da morte,
Dentro dos ossos, continua a arder!
Surdos destarte a apóstrofes e brados,
Os nossos esqueletos descarnados,
Em convulsivas contorções sensuais
Haurindo o gás sulfídrico das covas,
Com essa volúpia das ossadas novas
Hão de ainda se apertar cada vez mais!

O POETA DO HEDIONDO

Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência
A ultra-inquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas!

Quanto me dói no cérebro esta sonda!
Ah Certamente eu sou a mais hedionda
Generalização do Desconforto...

Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!


Augusto dos Anjos

03 agosto 2007

Vampiro [ Baudelaire ]

"Tu que, como uma punhalada
Invadiste meu coração triste,
Tu que, forte como manada
De demônios, louco surgiste,

Para no espírito humilhado
Encontrar luto e o ascendente
--Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à concorrente,

Como o seu jogo o jogador
como à garrafa o beberrão,
como os seus vermes a podridão,
--malditas seja, como for!

Implorei ao punhal veloz
Dar-me liberdade, um dia,
Disse após o veneno atroz
Que me amparaçe a covardia

Mas não! O veneno e o punhal
Disseram-me de ar zombeteiro:
Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.

Ah! imbecil -- de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
teu beijo ressucitaria
O cadáver do teu vampiro!"

31 julho 2007

Idealização da humanidade futura

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
- Homens que a herança de ímpetos impuros
Tomara etnicamente irracionais!

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

A Idéia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cal de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

Augusto dos Anjos

13 julho 2007

Monólogo de uma sombra

"Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A sáude das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!

Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
- Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!

Na existência social, possuo uma arma
- O metafisicismo de Abidarma -
E trago, sem bramánicas tesouras,
Como um dorso de azémola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.

Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo á Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
E com certeza meu irmão mais velho!

Tal qual quem para o próprio túmulo olha,
Amarguradamente se me antolha,
À luz do americano plenilúnio,
Na alma crepuscular de minha raça
Como urna vocação para a Desgraça
E um tropismo ancestral para o Infurtúnio.

Aí vem sujo, a coçar chagas plebéias,
Trazendo no deserto das idéias
O desespero endêmico do inferno,
Com a cara hirta, tatuada de fuligens
Esse mineiro doido das origens,
Que se chama o Filósofo Moderno!

Quis compreender, quebrando estéreis normas,
A vida fenomênica das Formas,
Que, iguais a fogos passageiros, luzem...
E apenas encontrou na idéia gasta,
O horror dessa mecânica nefasta,
A que todas as coisas se reduzem!

E hão de achá-lo, amanhã, bestas agrestes,
Sobre a esteira sarcófaga das pestes
A mostrar, já nos últimos momentos,
Como quem se submete a uma charqueada,
Ao clarão tropical da luz danada,
O espólio dos seus dedos peçonhentos.

Tal a finalidade dos estames!
Mas ele viverá, rotos os liames
Dessa estranguladora lei que aperta
Todos os agregados perecíveis,
Nas eterizações indefiníveis
Da energia intra-atômica liberta!

Será calor, causa ubíqua de gozo,
Raio X, magnetismo misterioso,
Quimiotaxia, ondulação aérea,
Fonte de repulsões e de prazeres,
Sonoridade potencial dos seres,
Estrangulada dentro da matéria!

E o que ele foi: clavículas, abdômen,
O coração, a boca, em síntese, o Homem,
- Engrenagem de vísceras vulgares -
Os dedos carregados de peçonha,
Tudo coube na lógica medonha
Dos apodrecimentos musculares!

A desarrumação dos intestinos
Assombra! Vede-a! Os vermes assassinos
Dentro daquela massa que o húmus come,
Numa glutoneria hedionda, brincam,
Como as cadelas que as dentuças trincam
No espasmo fisiológico da fome.

E unia trágica festa emocionante!
A bacteriologia inventariante
Toma conta do corpo que apodrece...
E até os membros da família engulham,
Vendo as larvas malignas que se embrulham
No cadáver malsão, fazendo um s.

E foi então para isto que esse doudo
Estragou o vibrátil plasma todo,
À guisa de um faquir, pelos cenóbios?!...
Num suicídio graduado, consumir-se,
E após tantas vigílias, reduzir-se
À herança miserável de micróbios!

Estoutro agora é o sátiro peralta
Que o sensualismo sodomista exalta,
Nutrindo sua infâmia a leite e a trigo...
Como que, em suas células vilíssimas,
Há estratificações requintadíssimas
De uma animalidade sem castigo.

Brancas bacantes bêbedas o beijam.
Suas artérias hírcicas latejam,
Sentindo o odor das carnações abstêmias,
E á noite, vai gozar, ébrio de vício,
No sombrio bazar do meretrício,
O cuspo afrodisíaco das fêmeas.

No horror de sua anômala nevrose,
Toda a sensualidade da simbiose,
Uivando, á noite, em lúbricos arroubos,
Como no babilônico sansara,
Lembra a fome incoercível que escancara
A mucosa carnívora dos lobos.

Sôfrego, o monstro as vítimas aguarda.
Negra paixão congênita, bastarda,
Do seu zooplasma ofídico resulta...
E explode, igual á luz que o ar acomete,
Com a veemência mavórtica do aríete
E os arremessos de uma catapulta.

Mas muitas vezes, quando a noite avança,
Hirto, observa através a tênue trança
Dos filamentos fluídicos de um halo
A destra descamada de um duende,
Que tateando nas tênebras, se estende
Dentro da noite má, para agarrá-lo!

Cresce-lhe a intracefálica tortura,
E de su'alma na cavema escura,
Fazendo ultra-epiléticos esforços,
Acorda, com os candieiros apagados,
Numa coreografia de danados,
A família alarmada dos remorsos.

É o despertar de um povo subterrâneo!
E a fauna cavernícola do crânio
- Macbetbs da patológica vigília,
Mostrando, em rembrandtescas telas várias,
As incestuosidades sangüinárias
Que ele tem praticado na família.

As alucinações tácteis pululam.
Sente que megatérios o estrangulam...
A asa negra das moscas o horroriza;
E autopsiando a amaríssima existência
Encontra um cancro assíduo na consciência
E três manchas de sangue na camisa!

Míngua-se o combustível da lanterna
E a consciência do sátiro se inferna,
Reconhecendo, bêbedo de sono,
Na própria ânsia dionísica do gozo,
Essa necessidade de horroroso,
Que é talvez propriedade do carbono!

Ah! Dentro de toda a alma existe a prova
De que a dor como um dartro se renova,
Quando o prazer barbaramente a ataca...
Assim também, observa a ciência crua,
Dentro da elipse ignívoma da lua
A realidade de urna esfera opaca.

Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,
Abranda as rochas rígidas, torna água
Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!

Provo desta maneira ao mundo odiento
Pelas grandes razões do sentimento,
Sem os métodos da abstrusa ciência fria
E os trovões gritadores da dialética,
Que a mais alta expressão da dor estética
Consiste essencialmente na alegria.

Continua o martírio das criaturas:
- O homicídio nas vielas mais escuras,
- O ferido que a hostil gleba atra escarva,
- O último solilóquio dos suicidas -
E eu sinto a dor de todas essas vidas
Em minha vida anônima de larva!"

Disse isto a Sombra. E, ouvindo estes vocábulos,
Da luz da lua aos pálidos venábulos,
Na ânsia de um nervosíssimo entusiasmo,
Julgava ouvir monótonas corujas,
Executando, entre caveiras sujas,
A orquestra arrepiadora do sarcasmo!

Era a elegia panteísta do Universo,
Na podridão do sangue humano imerso,
Prostituído talvez, em suas bases...
Era a canção da Natureza exausta,
Chorando e rindo na ironia infausta
Da incoerência infernal daquelas frases.

E o turbilhão de tais fonemas acres
Trovejando grandiloquos massacres,
Há-de ferir-me as auditivas portas,
Até que minha efêmera cabeça
Reverta á quietação da treva espessa
E à palidez das fotosferas mortas!

Augusto dos Anjos

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos

11 julho 2007

Egos, conflitos e banalidades

Todos querem se refestelar/ nas ruínas de outras vidas/ não importa o que dizem/ sempre têm alguém querendo/ pisar em outrem/ a desgraça alheia causa/ risos y descontraem os urubus/ essas aves de rapina do inferno/ enquanto a vítima se debate/ nacos de seu corpo são arrancados/ pelos bicos práticos e carnicentos/ quando tiveres triste pode deixar/ que terás milhares te agourando/ querente ver sua queda/ se esgueiram nas esquinas/ olham de soslaio/ balbuciam/ y quando você cair dirão: Maravilha!!!


"Por Oiselg Torres, o caído borrachado no chão, ouvindo Discarga Suburbana. No Zine Mulexta PUnx Konxpirationx"

29 junho 2007

Melancolia

Inércia, taquicardia de chuva, noite de calor. Falta do que fazer, desinteresse pelo que se faz. Dúvida do que se quer, certeza de não querer o que se tem. Temor pelo que está por vir, medo de que nada aconteça. Meio de um filme ruim, final de um filme bom. Falta de assunto no elevador. Conversa interminável ao telefone. Sono que não vem, despertador que toca as seis da manha.
Silencio quando se está sozinho, barulho quando se quer ficar só. Medo de escuro, claridade que incomoda. Ônibus que demora a passar, viajem cansativa. Rua sem saída, sinal vermelho. Abstinência sexual, sexo com um estranho. Telefone que não toca, ligações de engano. Ninguém para conversar, visitas inconvenientes. Papel em branco, lápis sem ponta. Planos para o futuro, lembranças do passado. Paixão não correspondida, amor que não interessa. Saudade de quem está longe, ausência de quem está perto.

Uma crônica de Leandro Santana, na primeira revista da mtv.

28 junho 2007

Oh, Me

If i had to lose a mile
if i had to touch feelings
i would lose my soul
the way i do

i don't have to think
i only have to do it
the results are always perfect
and that's old news

would you like to hear my voice
sweetened with emotion
invented at your birth?

i can't see the end of me
my whole expanse I cannot see
i formulate infinity
and store it deep inside of me

Se eu tivesse que recuar kilometros...
....................................
Se eu tivesse que tocar sentimentos...
....................................
Eu perderia minha alma....
......Do mesmo jeito

Não tenho que pensar..
Só tenho que fazer...
Os resultados são sempre perfeitos...
.....Mas isso não é novidade....

Você gostaria de ouvir minha voz..
Adocicada pela emoção
E inventada em seu nascimento?

Eu não consigo ver onde eu acabo
Minha extensão não dá pra eu enxergar
Eu formulo o infinito
E guardo bem dentro de mim

17 junho 2007

Still

Você é o dano que você causa. Seu brilhantismo e sua frustração, suas bombas que serão atiradas, sua imaturidade e sua indignação, seus desajustes e seus elogios, sua dúvida e sua certeza, sua caridade e seu estupro, sua ganância e sua expectativa. Os vejo desviando os olhares, os vejo encorajando a guerra. Os vejo ignorando seus filhos. Você só é sua alegria e seu arrependimento, sua fúria e sua exaltação. Seu anseio e seu suor, sua descrença e sua religião. Os vejo alterando a história, os vejo abusando da terra. Vejo vocês e sua amnésia seletiva. Você é sua tragédia e sua fortuna. Sua crise e seu deleite. Seus proveitos e seus profetas, sua arte , sua morte e suas decisões. Sua paixão e suas situações difíceis. Sua doença e convalescença. Suas armas e sua luz. Os vejo guardando seus rancores. Os vejo derrotando com suas balas. Os vejo calando suas irmãs. Os vejo mentindo, os vejo os forçando, os vejo culpando uns aos outros...

all I really want

Eu não quero dissecar tudo hoje...Eu não quero te criticar severamente, entenda!! Mas não posso evitar... Lá vou eu saltando antes que o tiro seja disparado!!!
Tudo que eu realmente quero é um pouco de paciência... Um jeito de calar a voz irada... e tudo eu realmente quero é absolvição! [If only I could hunt the hunter!!] Estou frustrada pela sua apatia!!! E to assustada pelos modos corruptos dessa terra. E estou tensa. Os conflitos as loucuras e o som das pretensões desabando ao redor... Você já pensou nas suas contas, no seu ex... Nos seus prazos finais?! Ou quando você acha que vai morrer? Ou você ansiava pela próxima distração ? ... E tudo que eu preciso agora é de uma relação intelectual... de alguém pra cavar um buraco mais fundo... E o que eu não daria para encontrar uma afinidade... Eu não tenho nenhum conceito de tempo além de que ele está voando... [If only I could kill the killer!!] Tudo que eu realmente quero é um pouco de paz, cara... um lugar pra encontrar um denominador comum... E tudo que realmente quero é um pouco de conforto. Um modo de ter minhas mãos desatadas. E tudo que realmente quero é um pouco de justiça...

Alanis Morissete, "All I really want"

15 junho 2007

Desdém!

Todo dia uma estadia
acordando junto com um fardo
o blefe de uma democracia.
Todo dia uma estadia
lutando cotra o títere do meu espelho
que nao reflete minha repugnancia
[tédio, desarmonia]
todo dia numa estadia
caminhando com esse bando concêntrico
sou o desgaste de um abuso
num convívio violado
num sistema, que ja nasci incluso
num contexto, pelos outros criado
sou o fruto
de um lixo semeado
a cada dia uma estadia
uma estadia de aprendizado!
A cada esquina um tirano
enfatizando seu egoísmo viril!
no desleixe de uma sociedade civil!
retratando esse mundo imbecil!!
Todo dia é uma reluta
ou uma forçada aceitaçao
Todo dia é uma estadia
um caos, uma depreçao!
É uma tentativa de enquadramento
no espaço de uma geraçao!




(gabí)

03 junho 2007

Reflexões_andre díspore

''...Em essência, depois de satisfazermos um sonho, a única coisa que teremos será um sonho a menos e, se isso nos parecer perda de tempo, então ao menos admitamos que nossos sonhos são sem sentido, e que não servem para nada além de povoar um mundo poético cuja única função é perpetuar um auto-engano vitalício. A saída lógica desse problema é simples: esperar que aconteça o que de fato acontece – em vez de passar a vida inteira resignado como uma vítima desse mundo real, material, cruel e injusto do qual seremos redimidos por um fator externo miraculoso que incorpora todos nossos desejos não-realizados como, por exemplo, a prometida segunda volta de Jesus, nos recompensando com bem-aventurança por termos vivido ansiosamente como imbecis sem rumo. Quem achar isso uma blasfêmia ridícula de um ateu imoral, então, para variar, abra sua Bíblia e leia o Evangelho com atenção, e verá que o reino dos céus não é apresentado como um lugar real para o qual ganhamos um bilhete de entrada depois de batermos as botas como bons cristãos, mas um estado de espírito, um modo de encarar a realidade. É claro que isso não implica que os valores cristãos sejam dignos de qualquer consideração séria – pois essa coisa chamada cristianismo já está mais vazia que a caixa de Pandora –, mas que a idéia de que seremos satisfeitos e recompensados depois da morte é tão infantil que ninguém consegue acreditar nela na prática – alguns podem dizer que acreditam, gritar que acreditam, se flagelar e jejuar para tentarem provar aos outros que acreditam; mas se acreditassem mesmo, do fundo de suas almas, quando sofressem um acidente, chamariam um padre, não a ambulância. O homem é só um pobre mamífero jogado nesse mundo absurdo sem entender bulhufas do que está acontecendo; um mamífero sem sentido que precisa de sentido; que, como qualquer outro, é cheio de necessidades, impulsos, sentimentos, desejos e expectativas que serão frustrados frequentemente; cheio de idéias, teorias e crenças nas quais muito se mostrará errado; cheio de angústias, dores e misérias que serão consistentemente reais...''

(Pascal)


''Nada é tão insuportável ao homem como quedar-se em pleno repouso; sem paixões, sem ocupação, sem divertimento, sem aplicação. Ele sente então o seu nada, o seu abandono, a sua inutilidade, a sua dependência, a sua incapacidade, o seu vazio. Imediatamente lhe crescerá do fundo da alma o tédio, a vileza, a tristeza,o desgosto, o desânimo, o desespero.''

19 maio 2007

[Transição]

André Díspore Cancian

Mais que ansioso de estar só
Ansioso de pensar-me só
E ter a escolha
Quando nada me coage
[a nada
E nada indica suspeita
[nenhuma
Coisa me traria mais conforto
Que fechar os olhos secos
Como se por eles houvesse
Passado um tiro
(de qualquer narcótico)

Ando os cômodos perturbado
Mas nada –––––––––––––––
Além de pedra, assento e desalento
Que por aqui, por hora, passa
Mas só por este momento sifilítico
Chamado vida

De ir e de voltar e de repensar
e de refazer e desmanchar este gueto
Sei cada poeira, todo o podre
O sei de cor, enfastiado disso
Espio e janela e adivinho a fuga
À rua à procura do novo
Mas rechaço esta novidade
[de oco
Este cenário erigido ao pão e circo
Isso fede mais ao pensamento
Que sua gente feliz e contente
Em ser demente que consente
E acreditar que seus filhos
– eles sim –
Serão diferentes, bem à frente
Da história tempo que o desmente

Sou ranzinza como um velho
Tivesse minha mente a idade que pensa
Estaria satisfeita e decomposta
Enquanto é sustada por este monte de
[]

Sei bem o que apodrece meus sonhos
E meus pensamentos e minhas
[explicações]
[explicações]
[explicações]
||||====|[soluções e||||||||]|==-------
[mais explicações e]
[mais soluções]
Intravenosas
Para fatos abstratos
Descritos muito melhor
Por qualquer bula de remédio

[Transição]

[Simulação de uma descrição
de uma transição de estado mental
[post-factum

Vejo o vácuo ver-se vivo e admito – não entendo
Por que há vácuo vivo, e ainda pensa?
Que se danem as mentiras de arte
Poetar não é só dizer mentiras bonitas
Um erro de memória explicaria
[melhor
Porque...
[[ Inutilia truncat ]]]

[estabilização]
[retorno]

Etc., deste modo e portanto
Quem se interessa, viva este perjúrio
Esta anemia e esta falta deste sabor
De contradição, e o guarde consigo
Satisfeito em ter-se tornado mais infeliz

[Agora está tudo bem]

Eu consigo ser medíocre
Sem levantar protestos
À existência ter-me nela
Sem qualquer importância

Me sinto vivo – sem esquecer uma vírgula
Do pesadelo que então me abandona
– Agora desprezo esses meus versos
Com a certeza de que retornarei
A eles como um tesouro
Quando sentir-me
Novamente
Morto

André Díspore Cancian

[Nihil]

André Díspore Cacian

Existir dói por convenção
Na irrazão de que a vida reviva
Sempre mais, mas para nada
Sentenciado à esperança perpétua
Que rasga-se pelo caminho do vácuo
Até a vertigem de alcançar a meta
Com passos além da exaustão
Ofegante na sina de quem foge
Do desatino de quem nasce
Onde todo triunfo transfoge e dói

Todo o nada do passado
Despeja vazio no presente
Despeja todo o presente
No porvir deste momento
Todo passado pesa agora
E quem pensa-se passado
Pressente inda mais amargor

Bipartido em meus pensamentos
E sonhando-me livre em querer
Escolher, retroagir, agir e fitar
Mas contido no nada do imedito
Vivendo num fato sem escolha

Daqui invejo quem desiste
[e insiste
Em emudecer com algo por dizer
Em permanecer e estar
Disposto a agir sem pensar
E esquecer que sonha
O sonho de desaparecer
A cada segundo menos vivo
[mais ninguém
Nem feliz ou triste, nada convém
Nem esperar a sorte
Nem esperar a morte
Nem sangrar de saber
Nem sofrer para esquecer

A morte não será o fim
Viver nunca foi um início
Somente a sensação triste
De dar por si com um rosto
E a ilusão de que sou algo
[mais que um fato
Com necessidade de viver
E a necessidade de quem vive

13 maio 2007

Cóclea

Ouço vozes que se perdem...
Pelo espaço suspenso..
Que envolve esse meu corpo
Indigente...
Os emissores se despedem
Sobre eles eu não penso!
Aprendi a ignorar essa sujeira...
que vaga à procurar um ouvinte retumbante
Mas meus sentidos se defendem
Dessa gente poluente
Dessa fala
dissonante!




(gabí)

07 maio 2007

Vidas Terráqueas

Corpos vivos
Estendidos nesse coxim...
E um silêncio destemido
salientando a respiraçao
E o decorrer daquela mão...
à um devido fim
A fricção desse movimento lauto faz de mim
um órgão flamejante
e um raciocínio ja esquecido nesse corpo umedecido
À essa volúpia uma continuação...
exorbitante felação...
usando a boca
e a imaginação
provocando um gozo
e uma adoraçao...





(gabí)

05 maio 2007

Cara amiga consciência...

"Após tantos desencontros, resolvi lhe escrever para pedir um favor. Nossas relações estão estremecidas, pois ultimamente você tem me causado vários problemas.

Encrustado no seu peito, sofro os abalos do seu desequilíbrio emocional. O efeito disso são as potentes descargas que me fazem bater descompassadamente. Você se desequilibra e sou eu quem acaba pagando o pato. E o pior é que você nem nota que está me ferindo!

Você já parou para pensar como eu sou importante? Provavelmente não. Em contrapartida, eu, que não paro um segundo, senão seu corpo morre, penso freqüentemente em você. Aliás, nem tenho como não pensar: você me arranja problemas a todo instante! Mesmo que eu não queira, sou obrigado a prestar atenção em você.

Conheço o seu corpo melhor do que ninguém. Desde que nasci, sou obrigado a bombear sangue sem parar para todas as partes do seu templo de carne. As células, os pulmões, os rins, o estômago, o fígado, o cérebro e toda a sua estrutura física precisam de mim.

Por que você não me trata melhor? Sou o mais sacrificado dos seus órgãos. Nem fazer greve por melhores condições de trabalho eu posso! Se eu parar, você desencarna.

Em matéria de sentimento, sou muito mais especializado do que você. Por isso, para que tenhamos uma melhor convivência

tenha mais equilíbrio
e
substitua a emoção grosseira pelo sentimento sutil!!!

Tenha dó desse pobre amigo que vos fala...."

03 maio 2007

as we travel... the universe...

Da raivosa paixão que resulta do ciúme, só os ciumentos podem falar adequadamente. E será que mesmo os que a padecem são capazes de explicá-la? Como a devem rotular: loucura furiosa? Inferno confuso? Verdugo do coração?

28 abril 2007

[Divagações]

(André Díspore Cacian)

Como dizem pouco as palavras.....

.....No exprimir qualquer profundeza

Entre o meu pensar e o teu entender.....

.....Entre o meu dizer e o teu ouvir

Jaz eterno o abismo do erro....

22 abril 2007


"...Calo-me em receios, devaneios, excessos em alusão. Fecho-me em descasos, inquietudes, perguntas para o ar... Vejo minh'alma sozinha, novamente, pondo-se a definhar, e aguardo meu momento de cantar a melodia da ilusão..."

14 abril 2007

Somos anjos caídos em rota de colisão com um mundo incapaz de nos compreender


"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite..."

La tristeza no es otra cosa que el precio de la vida consiente

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'(A vida humana é uma vidraça estilhaçada, cujos cacos estão envoltos por um negro e macio veludo, embebido em um veneno adocicado)'.

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'Os humanos percorrem a estrada do destino como se fossem bonecos de cera marchando em direçao ao fogo...'

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Uma natureza misteriosa e violenta pode se esconder por trás de uma aparência calma e inofensiva

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"Gosto dos venenos mais lentos... Das bebidas mais fortes... Das drogas mais poderosas... Dos cafés mais amargos... Tenho um apetite voraz.. E os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar!"
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13 abril 2007

Teatro para todos

O Festival de Teatro de Floripa acaba hoje, infelizmente, mas devo dizer que adorei as poucas peças que pude assistir. Ontem fui a udesc, assistir ao ‘Circuito 3 em 1’, peças dos acadêmicos.

“Amazônia”
A vingança da feminina natureza contra o masculino capital.
Uma mulher que não aceita a traição e resolve através do sacrifício do seu amante provar que o pior analfabeto é o analfabeto político. E, graças a ele (o analfabeto político) a Amazônia é desmatada e o mundo atônito assiste ao aquecimento global.
A origem dramatúrgica de Amazônia é a apropriação de um texto literário e outro jornalístico. A montagem segue os bons ensinamentos do teatro épico, em direção a uma tendência atual, trabalhando com não atores, corpos desviantes.
Nos informa da situação atual da floresta, cujo desmatamento cresce a cada ano e hoje,
42 % do território já está ocupado por seres humanos! E o principal problema é a contínua exploração e desmatamento ilegal das árvores, para as indústrias madeireiras. Pessoas que nem se importam sequer com o reflorestamento!
O espetáculo ‘Amazônia’ é um grito dos que desejam um basta a tanta insensatez. É uma forma de tentar tocar a alma de todo romântico que tem fé na utopia de um mundo melhor.

“Aquele que diz sim e aquele que diz não”
Com a atuação e direção de Volmir Cordeiro, e a sonoplastia feita pela Gisele Lamb, que tocava uma gaita sinfônica. Eu nem sabia que esses dois eram artistas! =P A interpretação monologa do Volmir foi muito boa. =)

“Palavras, palavras, palavras”
Três macacos enjaulados são submetidos à um experimento cientifico onde devem reproduzir a obra Hamlet, mesmo sem demonstrar o menor conhecimento sobre ela, questionando o real sentido de fazê-lo. Esse texto de autoria do americano David Ives, aborda com ironia um real experimento cientifico realizado na Europa, onde um grupo de cientistas acreditava que chipanzés fechados em uma biblioteca acabariam por reproduzir, num período indeterminado, uma das obras ali contidas.
Mais do que ironizar esse experimento, Ives coloca em cena macacos vivendo situações de submissão. Nessa montagem, os macacos estão em uma Caixa de Skinner, invento utilizado para testar a psicologia dos animais, condicionando-os a realização de determinadas atividades, mediante recompensa. Essa metáfora é trazida a cena e reflete a condição humana em diversos segmentos como sistema capitalista, a hierarquia política, as relações de poder e o universo acadêmico e intelectual.

Na peça, os chipanzés não entendem porque estão ali, não conseguem escrever nada mais que ‘ratatatatatatata’, ganham amendoins e cigarros de presente quando estão tendo crises de sufoco. E por final, um deles termina conformado com a sua condição, e tentando fazer o que eles querem. Outro termina com raiva e tentando descobrir um modo de se vingar. E outro termina louco.

È muito massa! E vale a pena ir lá assistir, hoje é o ultimo dia, e começa as 23:30hrs.

08 abril 2007

A realidade humana é indecifrável!

Quando sonhamos com nossa identidade, devemos pensar que temos partículas que nasceram no despertar do universo. Temos átomos de carbono que se formaram em sóis anteriores ao nosso, pelo encontro de três núcleos de hélio que se constituíram em moléculas e neuromoléculas na terra. Somos todos filhos do cosmos, mas nos transformamos em estranhos através de nosso conhecimento e de nossa cultura.

04 abril 2007

Pra não vivermos sós... nós vivemos com um cão
Nos cercamos de rosas ou vivemos com uma cruz
Pra não vivermos sós... interpretamos um personagem
Amamos uma lembrança, uma sombra, qualquer coisa
Pra não vivermos sós, vivemos a primavera
E quando ela se vai, esperamos pela próxima
Pra não vivermos sós, eu te amo e te espero
Assim tenho a ilusão de não viver só

Para não viverem sós
Algumas garotas amam garotas
E alguns rapazes casam-se com outros
Para não viverem sós, alguns têm filhos,
crianças que estão sós, como todas as crianças...
Para não vivermos sós, construímos catedrais
Onde os solitários procuram-se numa estrela
Para não vivermos sós, eu te amo e te espero
Assim tenho a ilusão que não sou tão só...


OITO MULHERES de François Ozon
A interpretação do elenco é ótima...

30 março 2007

O assomo imerso no torpor profundo...

Passei três semanas longe de casa, e nao senti falta de nada!
Ultimamente nao tenho me apegado nem mais à amigo nenhum, estou acustumada com a ausência deles.
Eles sempre estão ausentes...
eles, quem?
...
Ah! eu tenho tantos amigos...
[quando eles são aquelas criaturas do passado,
que já estiveram comigo
agora, mesmo que eu tenha me machucado,
com a irrazão complexa de um ser humano magoado
e ninguém tenha notado...
no meu peito ainda continua o abrigo...

[Assim que aprendi a ver
que não convém sofrer
por qualquer que seja o ser...]
Nem tampouco depender...

Mas então
tenho me encotrado
num conforto interno
algo sacia meu vácuo perturbante
num bem estar, numa eufonia
e QUEBRA tamanha fobia
de sentimentalismo que eu supostamente teria
quando nao queria
tal sina, de estar presa, à alguém
E agora me encontro na fadiga de um animal encasquetado
com a sua condiçao
de nao agir
perante ao assombroso modo com o qual se encontra
cujo corpo NÃO se permite mais
em ser sozinho, e desprendido
pois agora, sente falta
de um outro corpo, dum' ser
(que surgiu
do nada...
e não vai embora
nunca..

porque
nao dá....

E o que é
viver para abastecer...
o natural vício do jeito humano de ser...

E que graça tem...
estar em casa, estar bem
mas estar sem
Que graça tem...?




(gabí)

25 março 2007

Todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas.

Sou feita de circunstâncias
E variáveis emoções
Quando a euforia invade
Adentro a uma porção de pensamentos
Que dormiam ao som da inércia
Quando não se continham
Com o nada
Da superfície
[Que na própria pele se fazia um desconforto
Por um vazio
De não sentir
Me tornei estagnada
Contudo infiltrada no caos do tempo
Com os olhos abertos sem ver nada
Estava eu, estagnada.
...Resolvi andar por ruas diferentes
Porque mesmo com os meus sentidos já dormentes
É ser sobrevivente que me consente
Em andar pra frente
[E me fiz pelas circunstâncias
em variáveis emoções]
Quando a euforia nasce
Na penumbra de um sol poente
Que tornou a terra florescente
Dei chances
Para que as células se regenerassem
E que os órgãos
Respirassem
Um ar puro
E fluente
Foi quando me desfiz da lama
De um drama
incoerente




(gabí)

23 março 2007

Ironic

well life has a funny way of sneaking up on you
when you think everything is okay and everything's going right...

and life has a funny way of helping you out
when you think everything's gone wrong and everything blows up in your face...

22 março 2007

Poesias nuas, poesias cruas, poesias minhas, poesias suas!


Recordo-me...Recordo-me... Recordo.
Mas recordo o quê, precisamente?
Se todos os sentimentos se desintegram e todas as vivências são metamorfoses...
Vejo a todos, poeira cósmica tão fina, cristais líquidos fundidos, caleidoscópios.
O bem e o mal. O zero e o absoluto. Os rostos sorrindo congelados, e os mortos como se não vivessem morrendo...
Nasci a um sábado, numa madrugada glacial. E só julgo recordar-me por me terem recordado, com palavras logo diluídas no imenso caldo apocalíptico,
que é não haver memórias, mas apenas impressões...

(autor disconhecido)

21 março 2007

Rastejando em círculos, aspirando o pó do tédio, condenando a vida, pelas mentiras que vagam por entre as vastas ruas desse sanatório medíocre
num trajeto já conhecido
e sem sentido.
Devo ser uma protuberância, acidentalmente proliferada, como tudo no universo...
Deveria eu ser uma forçada continuação
de alguém que já viveu nessa terra, na qual não era pra ser de ninguém, porém, mesmo se não me convém, nasci dentro de uma civilização,
e nesse delírio social, estou eu, em vão...





(gabí)

(Nesse preciso tempo, nesse preciso lugar)

No princípio era o Verbo e os açúcares e os aminoácidos. Depois foi o que se sabe... Agora estou debruçado na varanda de um terceiro andar. E todo o passado vem exactamente desaguar. Nesse preciso tempo, nesse preciso lugar, no meu preciso modo e no meu preciso estado!
Todavia em vez de metafísica ou de biologia dá-me para a mais inespecífica forma de melancolia:
poesia nem por isso lírica nem por isso provavelmente poesia... Pois que faria eu com tanto passado, senão passar-lhe ao lado, deitando-lhe o enviesado olhar da ironia?
Por onde vens, Passado, pelo vivido ou pelo sonhado? Que parte de ti me pretence, a que se lembra ou a que se esquece? Lá embaixo, na rua, passa para sempre gente indefinitivamente presente, entrando na minha vida, por uma porta de saída que dá já para a memória. Também eu [isto] não tenho história se não a de uma ausência entre indiferença e indiferença...

Manuel Antônio Pina

13 março 2007

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ja que hoje eu nao estou nada romantica, aí vai uma letra do facçao central, que eu dedico ao dani bombardeador, o cara mais falante e inquieto dessa ilha que ia me acompanhar no show da banda se não tivesse cancelado..=/ unf@

A Guerra Não Vai Acabar

Aí promotor o pesadelo voltou
Censurou o clipe mais a guerra não acabou
Ainda tem defunto a cada 13 minutos
Dez cidades entre as 15 mais violentas do mundo
Da classe rica ainda dita moda do inferno
Colete a prova de bala embaixo do terno
No ranking do sequestro 4º do planeta
51 por ano com capuz e sem orelha
Continua apologia na panela do barraco
Ao empresario na cherokee desfigurado
180mil presos menor decapitado, cabeça arremeçada no peito do soldado
Sistema carcerário ainda é curso pra latrocinio
Nota 10 no ensino de queima seguro vivo
Familia amarrada miolo pelo quarto
Hollow point no dotor pra ve dollar no saco
Destaque da tv, sensacionalista
Que filma sem pudor o trabalho da perícia
Contando buraco no crânio do corpo do pai morto
Pela glock que o sistema porco põe no morro
Mais pra mim é 286 quando falo do sangue que escorre do pescoço do vigia,
Dentro do carro forte, quanto descazo pra periferia
Transforma meu povo em carniça
Tem facção na pista
Sanguinário na rima

(4x)
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar

Não tem inquerito pra tv que tem a vadia nua novela da 6, 7, 8 sem ministério nem censura
Só o meu rap que é nocivo pro sistema hipócrita
A justiça não quer ouvir que o moleque que o pai da as costas
Pode invadir seu ap, derruba sua porta
Mata seu parente pra paga treta de droga
Se tem sangue eu canto sangue
Se tem morte eu canto morte
Relato que leva o ladrão pro cofre
Não sou eu que coloco o mano lá no banco
Estorando o gerente, saindo trocando
Foi na tv que eu vi parte da polícia deitada
Assistindo o resgate, dominada desarmada
Delegada chorando desistindo do emprego
Meu clipe ainda era um sonho e é real o pesadelo
Eu não preciso estimula o latrocinio
Nem o sequestro relâmpago de um empresário rico
O brasil não da escola, mais da metralhadora
O brasil não ta comida, mais poe crack na rua toda
Não vem me coloca de bode espiatório
País falso moralista é você que quer velório
A tia da mansão fazendo oração
Esperando o cantato do sequestrador em vão
Seu filho deveta morto, quer saber por que
Combate violência aqui é me calar ou me prender

(4x)
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar

E quem não olha pro moleque sem infância no morro
Oitão na cinta, sangue na mente, apetitoso
Homicidio latrocinio so profetiza o obvio
Cercado pelo crack a consequencia é óbito
Vendo sua mãe catando fruta apodrecida
Rasgando o lixo, comendo o resto da burguesa
Galinha metida que quando ve o da favela pisa, acelera
Pra essa cadela só é gente quem tem lagosta na panela
A criança vira um monstro com 13 no paint
Quando percebe que a propaganda de bike video-game
Playcenter, tenis, danone, Mclanche
É so pro filho da madame
Carboniza um corpo disfigura o rosto
Quando ve que pra ele é so pipa, agua de esgoto
Não é desculpa pra revolta porque não é seu filho
O seu ta de Audi alimentado bem vestido
Vai se tornar empresário bem sucedido
Não vai precisar gritar assalto em nenhum ouvido
Facção é só um retrato da guerra civil brasileira
Da carnificina rotineira
Assusta menos que o menor muito loko espalhando seu miolo pelo visor
Do caixa eletrônico
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar
Pode censurar, me prender me matar

05 março 2007

“A insustentável leveza do ser”

“O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sobre ele, nos esmaga contra o chão. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes” .

Esse trecho introduz o livro: ‘A insustentável leveza do ser’, uma obra de Milan Kundera, que conta histórias paralelas do cotidiano da vida de pessoas diferentes, que carregam consigo o peso ou a leveza da existência.
“O mito do eterno retorno (segundo Nietzsche) nos diz, por negação, que a vida, que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não tem o menor sentido”.

Eu adorei ler esse livro, especialmente a primeira parte. E toda vez que falo dele, eu não esqueço dos sorrisinhos super cativantes do Guguts, do Püts e do Édi, (eles sempre falavam desse livro) quando a gente se encontrava em coqueiros, pra tomar um chá e conversar sobre todas as teorias filosóficas refletidas por esses seres tão astutos e sensatos e por mais outros queridos que vagavam pelos corredores daquele apartamento super sensual, onde a energia vibrava tão forte que parecia que a qualquer momento um raio ia cair sobre nossas cabeças. E ia explodir tudo que já haviam construído ali.
Sério, aquele lugar tinha uma energia estranha, quente, forte.
E por ironia do destino, toda aquela sensação, que não apenas eu senti, como desventura não foi uma mera sensação...

Muita saudade eu sinto de todos que compartilharam juntos comigo a amizade, as trocas de idéias, o amor livre, a diversão, os porres, o sexo, a liberdade, a leveza, a transição das relações, os sorrisos,
até o choro e por fim o peso de um triste fim para os nossos mais antigos novos hábitos juntos...


Mas enfim, não existe perfeição para uma vida na terra.
Porque estamos em constante transição, inevitavelmente numa estrada de perdição. Ninguém pode ter certeza do que faz bem e do que faz mal. O sorriso de hoje pode se tornar a lágrima de amanhã.
A gente anda em círculos, buracos, destruindo muros, se quebrando, caindo, machucando e levantando com as marcas que o tempo faz questão de tatuar. Com acertos, erros, trajetos infelizes ou venturosos, incertezas, dificuldades, descasos. Mas é o caminho que surge para se percorrer.
Sem culpa, sem fardo, sem nexo, sem solução, é a vida. É a morte. Que não se sustenta, tampouco se evita.



(gabí)

01 março 2007

Indo com o fluxo

Ao me concederem a existência não podiam imaginar o tamanho de minha ingratidão...
Quando um simples flerte se transforma em gametas
e faz da paz somente uma utopia para sempre desejada por todos os óvulos fecundados
e sem ser digna de qualquer escolha, já estava eu lá, com um corpo formado, um cordão cortado e um inédito choro.
Então constituo-me de uma capacidade de articular, e de algum modo descubro a vasta proporção de todos os órgãos sensoriais, forçando-me a agir e reagir...
E aí nascem abstratos sentimentos coagulando com incalculáveis pensamentos provenientes de tudo que meus olhos conseguem ver e de tudo que meus tímpanos são capazes de ouvir...
Plasmada.
Pareço um absorvente. Um moldes de poluição.
Diante de tanta gente delinqüente, me transformo em uma.
Mas consciente.. È o que sou, agora. Porque quando fui criança eu era apenas um íma de vergonhosos murmúrios que tentavam maquiar a minha mente, introduzindo à essa pretensiosas ditaduras à fim de desestruturar as minhas células e fazer de mim um cérebro moldado.
E é assim que milhares de pessoas do mundo inteiro se transformam.
E criam máscaras para suas faces.
Ignoram seus sentimentos mais puros porque os temem.
Por que os temem?
[Permitem que uma população desconhecida invada sua privacidade e apague a sua capacidade de refletir.] Se submetem a tudo! E esquecem do seu livre arbítrio.
Acreditam nas fábulas.
Seguem dogmas.
Mergulham nas mentiras inventadas pelos homens que por essa terra ja vagaram...
E deixam se levar pelo medo da rejeição.
[Mas por que é tão ruim ser rejeitado por alguém que nem te conhece?]
Não sou mais criança.
Hoje caminho pelas ruas em meio à complexidade do ser humano. Jamais poderei viver sozinha e como muitas vezes já aconteceu, terei de agir sem pensar, envolta ao contexto de pessoas que possuem certo poder nas mãos, em virtude das vantagens que lhes foram concebidas.
Perplexa.
Meus olhos atentos ao descaso mútuo. Junto-me a esse fluxo eloqüente. São tantos medos, dúvidas, certezas, dizeres, ideais, povos diversos, multidões. Opiniões e temperamentos, feitos, prólogos, contos e histórias, a difusão do bem e do mal, o certo e o errado, declínios, avanços...
A verdade absoluta despedaçando-se com o tempo que a desmente.
Continuo a espreitar a espelunca em que vivemos, unidos ou separados, absorvendo o que tem de mais belo, difundindo-se com a podridão inorgânica que consome a terra.
A terra do caos constante. Somos atacados o tempo todo e tudo que precisamos é de um esplêndido e magnífico sistema de defesa. Que talvez é tua própria consciência que irá te conceber...
Despreso os significados inventados, as leis morais ditadas, dispenso a possibilidade de qualquer rótulo que queiram me 'presentear'. Encontro-me em prol da minha espontaneidade e divulgaria em qualquer lugar meus sentimentos sinceros dos quais jamais me envergonharei.
Existindo/resistindo, diletante, à procura de liberdade.
Sem verdade absoluta. Sem significado...
Sem arrependimentos ou remorso. Eu só sigo em frente...



(gabí)