Indo com o fluxo
Ao me concederem a existência não podiam imaginar o tamanho de minha ingratidão...
Quando um simples flerte se transforma em gametas
e faz da paz somente uma utopia para sempre desejada por todos os óvulos fecundados
e sem ser digna de qualquer escolha, já estava eu lá, com um corpo formado, um cordão cortado e um inédito choro.
Então constituo-me de uma capacidade de articular, e de algum modo descubro a vasta proporção de todos os órgãos sensoriais, forçando-me a agir e reagir...
E aí nascem abstratos sentimentos coagulando com incalculáveis pensamentos provenientes de tudo que meus olhos conseguem ver e de tudo que meus tímpanos são capazes de ouvir...
Plasmada.
Pareço um absorvente. Um moldes de poluição.
Diante de tanta gente delinqüente, me transformo em uma.
Mas consciente.. È o que sou, agora. Porque quando fui criança eu era apenas um íma de vergonhosos murmúrios que tentavam maquiar a minha mente, introduzindo à essa pretensiosas ditaduras à fim de desestruturar as minhas células e fazer de mim um cérebro moldado.
E é assim que milhares de pessoas do mundo inteiro se transformam.
E criam máscaras para suas faces.
Ignoram seus sentimentos mais puros porque os temem.
Por que os temem?
[Permitem que uma população desconhecida invada sua privacidade e apague a sua capacidade de refletir.] Se submetem a tudo! E esquecem do seu livre arbítrio.
Acreditam nas fábulas.
Seguem dogmas.
Mergulham nas mentiras inventadas pelos homens que por essa terra ja vagaram...
E deixam se levar pelo medo da rejeição.
[Mas por que é tão ruim ser rejeitado por alguém que nem te conhece?]
Não sou mais criança.
Hoje caminho pelas ruas em meio à complexidade do ser humano. Jamais poderei viver sozinha e como muitas vezes já aconteceu, terei de agir sem pensar, envolta ao contexto de pessoas que possuem certo poder nas mãos, em virtude das vantagens que lhes foram concebidas.
Perplexa.
Meus olhos atentos ao descaso mútuo. Junto-me a esse fluxo eloqüente. São tantos medos, dúvidas, certezas, dizeres, ideais, povos diversos, multidões. Opiniões e temperamentos, feitos, prólogos, contos e histórias, a difusão do bem e do mal, o certo e o errado, declínios, avanços...
A verdade absoluta despedaçando-se com o tempo que a desmente.
Continuo a espreitar a espelunca em que vivemos, unidos ou separados, absorvendo o que tem de mais belo, difundindo-se com a podridão inorgânica que consome a terra.
A terra do caos constante. Somos atacados o tempo todo e tudo que precisamos é de um esplêndido e magnífico sistema de defesa. Que talvez é tua própria consciência que irá te conceber...
Despreso os significados inventados, as leis morais ditadas, dispenso a possibilidade de qualquer rótulo que queiram me 'presentear'. Encontro-me em prol da minha espontaneidade e divulgaria em qualquer lugar meus sentimentos sinceros dos quais jamais me envergonharei.
Existindo/resistindo, diletante, à procura de liberdade.
Sem verdade absoluta. Sem significado...
Sem arrependimentos ou remorso. Eu só sigo em frente...
(gabí)

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