30 março 2007

O assomo imerso no torpor profundo...

Passei três semanas longe de casa, e nao senti falta de nada!
Ultimamente nao tenho me apegado nem mais à amigo nenhum, estou acustumada com a ausência deles.
Eles sempre estão ausentes...
eles, quem?
...
Ah! eu tenho tantos amigos...
[quando eles são aquelas criaturas do passado,
que já estiveram comigo
agora, mesmo que eu tenha me machucado,
com a irrazão complexa de um ser humano magoado
e ninguém tenha notado...
no meu peito ainda continua o abrigo...

[Assim que aprendi a ver
que não convém sofrer
por qualquer que seja o ser...]
Nem tampouco depender...

Mas então
tenho me encotrado
num conforto interno
algo sacia meu vácuo perturbante
num bem estar, numa eufonia
e QUEBRA tamanha fobia
de sentimentalismo que eu supostamente teria
quando nao queria
tal sina, de estar presa, à alguém
E agora me encontro na fadiga de um animal encasquetado
com a sua condiçao
de nao agir
perante ao assombroso modo com o qual se encontra
cujo corpo NÃO se permite mais
em ser sozinho, e desprendido
pois agora, sente falta
de um outro corpo, dum' ser
(que surgiu
do nada...
e não vai embora
nunca..

porque
nao dá....

E o que é
viver para abastecer...
o natural vício do jeito humano de ser...

E que graça tem...
estar em casa, estar bem
mas estar sem
Que graça tem...?




(gabí)

25 março 2007

Todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas.

Sou feita de circunstâncias
E variáveis emoções
Quando a euforia invade
Adentro a uma porção de pensamentos
Que dormiam ao som da inércia
Quando não se continham
Com o nada
Da superfície
[Que na própria pele se fazia um desconforto
Por um vazio
De não sentir
Me tornei estagnada
Contudo infiltrada no caos do tempo
Com os olhos abertos sem ver nada
Estava eu, estagnada.
...Resolvi andar por ruas diferentes
Porque mesmo com os meus sentidos já dormentes
É ser sobrevivente que me consente
Em andar pra frente
[E me fiz pelas circunstâncias
em variáveis emoções]
Quando a euforia nasce
Na penumbra de um sol poente
Que tornou a terra florescente
Dei chances
Para que as células se regenerassem
E que os órgãos
Respirassem
Um ar puro
E fluente
Foi quando me desfiz da lama
De um drama
incoerente




(gabí)

23 março 2007

Ironic

well life has a funny way of sneaking up on you
when you think everything is okay and everything's going right...

and life has a funny way of helping you out
when you think everything's gone wrong and everything blows up in your face...

22 março 2007

Poesias nuas, poesias cruas, poesias minhas, poesias suas!


Recordo-me...Recordo-me... Recordo.
Mas recordo o quê, precisamente?
Se todos os sentimentos se desintegram e todas as vivências são metamorfoses...
Vejo a todos, poeira cósmica tão fina, cristais líquidos fundidos, caleidoscópios.
O bem e o mal. O zero e o absoluto. Os rostos sorrindo congelados, e os mortos como se não vivessem morrendo...
Nasci a um sábado, numa madrugada glacial. E só julgo recordar-me por me terem recordado, com palavras logo diluídas no imenso caldo apocalíptico,
que é não haver memórias, mas apenas impressões...

(autor disconhecido)

21 março 2007

Rastejando em círculos, aspirando o pó do tédio, condenando a vida, pelas mentiras que vagam por entre as vastas ruas desse sanatório medíocre
num trajeto já conhecido
e sem sentido.
Devo ser uma protuberância, acidentalmente proliferada, como tudo no universo...
Deveria eu ser uma forçada continuação
de alguém que já viveu nessa terra, na qual não era pra ser de ninguém, porém, mesmo se não me convém, nasci dentro de uma civilização,
e nesse delírio social, estou eu, em vão...





(gabí)

(Nesse preciso tempo, nesse preciso lugar)

No princípio era o Verbo e os açúcares e os aminoácidos. Depois foi o que se sabe... Agora estou debruçado na varanda de um terceiro andar. E todo o passado vem exactamente desaguar. Nesse preciso tempo, nesse preciso lugar, no meu preciso modo e no meu preciso estado!
Todavia em vez de metafísica ou de biologia dá-me para a mais inespecífica forma de melancolia:
poesia nem por isso lírica nem por isso provavelmente poesia... Pois que faria eu com tanto passado, senão passar-lhe ao lado, deitando-lhe o enviesado olhar da ironia?
Por onde vens, Passado, pelo vivido ou pelo sonhado? Que parte de ti me pretence, a que se lembra ou a que se esquece? Lá embaixo, na rua, passa para sempre gente indefinitivamente presente, entrando na minha vida, por uma porta de saída que dá já para a memória. Também eu [isto] não tenho história se não a de uma ausência entre indiferença e indiferença...

Manuel Antônio Pina

13 março 2007

--->

ja que hoje eu nao estou nada romantica, aí vai uma letra do facçao central, que eu dedico ao dani bombardeador, o cara mais falante e inquieto dessa ilha que ia me acompanhar no show da banda se não tivesse cancelado..=/ unf@

A Guerra Não Vai Acabar

Aí promotor o pesadelo voltou
Censurou o clipe mais a guerra não acabou
Ainda tem defunto a cada 13 minutos
Dez cidades entre as 15 mais violentas do mundo
Da classe rica ainda dita moda do inferno
Colete a prova de bala embaixo do terno
No ranking do sequestro 4º do planeta
51 por ano com capuz e sem orelha
Continua apologia na panela do barraco
Ao empresario na cherokee desfigurado
180mil presos menor decapitado, cabeça arremeçada no peito do soldado
Sistema carcerário ainda é curso pra latrocinio
Nota 10 no ensino de queima seguro vivo
Familia amarrada miolo pelo quarto
Hollow point no dotor pra ve dollar no saco
Destaque da tv, sensacionalista
Que filma sem pudor o trabalho da perícia
Contando buraco no crânio do corpo do pai morto
Pela glock que o sistema porco põe no morro
Mais pra mim é 286 quando falo do sangue que escorre do pescoço do vigia,
Dentro do carro forte, quanto descazo pra periferia
Transforma meu povo em carniça
Tem facção na pista
Sanguinário na rima

(4x)
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar

Não tem inquerito pra tv que tem a vadia nua novela da 6, 7, 8 sem ministério nem censura
Só o meu rap que é nocivo pro sistema hipócrita
A justiça não quer ouvir que o moleque que o pai da as costas
Pode invadir seu ap, derruba sua porta
Mata seu parente pra paga treta de droga
Se tem sangue eu canto sangue
Se tem morte eu canto morte
Relato que leva o ladrão pro cofre
Não sou eu que coloco o mano lá no banco
Estorando o gerente, saindo trocando
Foi na tv que eu vi parte da polícia deitada
Assistindo o resgate, dominada desarmada
Delegada chorando desistindo do emprego
Meu clipe ainda era um sonho e é real o pesadelo
Eu não preciso estimula o latrocinio
Nem o sequestro relâmpago de um empresário rico
O brasil não da escola, mais da metralhadora
O brasil não ta comida, mais poe crack na rua toda
Não vem me coloca de bode espiatório
País falso moralista é você que quer velório
A tia da mansão fazendo oração
Esperando o cantato do sequestrador em vão
Seu filho deveta morto, quer saber por que
Combate violência aqui é me calar ou me prender

(4x)
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar

E quem não olha pro moleque sem infância no morro
Oitão na cinta, sangue na mente, apetitoso
Homicidio latrocinio so profetiza o obvio
Cercado pelo crack a consequencia é óbito
Vendo sua mãe catando fruta apodrecida
Rasgando o lixo, comendo o resto da burguesa
Galinha metida que quando ve o da favela pisa, acelera
Pra essa cadela só é gente quem tem lagosta na panela
A criança vira um monstro com 13 no paint
Quando percebe que a propaganda de bike video-game
Playcenter, tenis, danone, Mclanche
É so pro filho da madame
Carboniza um corpo disfigura o rosto
Quando ve que pra ele é so pipa, agua de esgoto
Não é desculpa pra revolta porque não é seu filho
O seu ta de Audi alimentado bem vestido
Vai se tornar empresário bem sucedido
Não vai precisar gritar assalto em nenhum ouvido
Facção é só um retrato da guerra civil brasileira
Da carnificina rotineira
Assusta menos que o menor muito loko espalhando seu miolo pelo visor
Do caixa eletrônico
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar
Pode censurar, me prender me matar
Não é assim promotor que a guerra vai acabar
Pode censurar, me prender me matar

05 março 2007

“A insustentável leveza do ser”

“O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sobre ele, nos esmaga contra o chão. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes” .

Esse trecho introduz o livro: ‘A insustentável leveza do ser’, uma obra de Milan Kundera, que conta histórias paralelas do cotidiano da vida de pessoas diferentes, que carregam consigo o peso ou a leveza da existência.
“O mito do eterno retorno (segundo Nietzsche) nos diz, por negação, que a vida, que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não tem o menor sentido”.

Eu adorei ler esse livro, especialmente a primeira parte. E toda vez que falo dele, eu não esqueço dos sorrisinhos super cativantes do Guguts, do Püts e do Édi, (eles sempre falavam desse livro) quando a gente se encontrava em coqueiros, pra tomar um chá e conversar sobre todas as teorias filosóficas refletidas por esses seres tão astutos e sensatos e por mais outros queridos que vagavam pelos corredores daquele apartamento super sensual, onde a energia vibrava tão forte que parecia que a qualquer momento um raio ia cair sobre nossas cabeças. E ia explodir tudo que já haviam construído ali.
Sério, aquele lugar tinha uma energia estranha, quente, forte.
E por ironia do destino, toda aquela sensação, que não apenas eu senti, como desventura não foi uma mera sensação...

Muita saudade eu sinto de todos que compartilharam juntos comigo a amizade, as trocas de idéias, o amor livre, a diversão, os porres, o sexo, a liberdade, a leveza, a transição das relações, os sorrisos,
até o choro e por fim o peso de um triste fim para os nossos mais antigos novos hábitos juntos...


Mas enfim, não existe perfeição para uma vida na terra.
Porque estamos em constante transição, inevitavelmente numa estrada de perdição. Ninguém pode ter certeza do que faz bem e do que faz mal. O sorriso de hoje pode se tornar a lágrima de amanhã.
A gente anda em círculos, buracos, destruindo muros, se quebrando, caindo, machucando e levantando com as marcas que o tempo faz questão de tatuar. Com acertos, erros, trajetos infelizes ou venturosos, incertezas, dificuldades, descasos. Mas é o caminho que surge para se percorrer.
Sem culpa, sem fardo, sem nexo, sem solução, é a vida. É a morte. Que não se sustenta, tampouco se evita.



(gabí)

01 março 2007

Indo com o fluxo

Ao me concederem a existência não podiam imaginar o tamanho de minha ingratidão...
Quando um simples flerte se transforma em gametas
e faz da paz somente uma utopia para sempre desejada por todos os óvulos fecundados
e sem ser digna de qualquer escolha, já estava eu lá, com um corpo formado, um cordão cortado e um inédito choro.
Então constituo-me de uma capacidade de articular, e de algum modo descubro a vasta proporção de todos os órgãos sensoriais, forçando-me a agir e reagir...
E aí nascem abstratos sentimentos coagulando com incalculáveis pensamentos provenientes de tudo que meus olhos conseguem ver e de tudo que meus tímpanos são capazes de ouvir...
Plasmada.
Pareço um absorvente. Um moldes de poluição.
Diante de tanta gente delinqüente, me transformo em uma.
Mas consciente.. È o que sou, agora. Porque quando fui criança eu era apenas um íma de vergonhosos murmúrios que tentavam maquiar a minha mente, introduzindo à essa pretensiosas ditaduras à fim de desestruturar as minhas células e fazer de mim um cérebro moldado.
E é assim que milhares de pessoas do mundo inteiro se transformam.
E criam máscaras para suas faces.
Ignoram seus sentimentos mais puros porque os temem.
Por que os temem?
[Permitem que uma população desconhecida invada sua privacidade e apague a sua capacidade de refletir.] Se submetem a tudo! E esquecem do seu livre arbítrio.
Acreditam nas fábulas.
Seguem dogmas.
Mergulham nas mentiras inventadas pelos homens que por essa terra ja vagaram...
E deixam se levar pelo medo da rejeição.
[Mas por que é tão ruim ser rejeitado por alguém que nem te conhece?]
Não sou mais criança.
Hoje caminho pelas ruas em meio à complexidade do ser humano. Jamais poderei viver sozinha e como muitas vezes já aconteceu, terei de agir sem pensar, envolta ao contexto de pessoas que possuem certo poder nas mãos, em virtude das vantagens que lhes foram concebidas.
Perplexa.
Meus olhos atentos ao descaso mútuo. Junto-me a esse fluxo eloqüente. São tantos medos, dúvidas, certezas, dizeres, ideais, povos diversos, multidões. Opiniões e temperamentos, feitos, prólogos, contos e histórias, a difusão do bem e do mal, o certo e o errado, declínios, avanços...
A verdade absoluta despedaçando-se com o tempo que a desmente.
Continuo a espreitar a espelunca em que vivemos, unidos ou separados, absorvendo o que tem de mais belo, difundindo-se com a podridão inorgânica que consome a terra.
A terra do caos constante. Somos atacados o tempo todo e tudo que precisamos é de um esplêndido e magnífico sistema de defesa. Que talvez é tua própria consciência que irá te conceber...
Despreso os significados inventados, as leis morais ditadas, dispenso a possibilidade de qualquer rótulo que queiram me 'presentear'. Encontro-me em prol da minha espontaneidade e divulgaria em qualquer lugar meus sentimentos sinceros dos quais jamais me envergonharei.
Existindo/resistindo, diletante, à procura de liberdade.
Sem verdade absoluta. Sem significado...
Sem arrependimentos ou remorso. Eu só sigo em frente...



(gabí)