29 junho 2007

Melancolia

Inércia, taquicardia de chuva, noite de calor. Falta do que fazer, desinteresse pelo que se faz. Dúvida do que se quer, certeza de não querer o que se tem. Temor pelo que está por vir, medo de que nada aconteça. Meio de um filme ruim, final de um filme bom. Falta de assunto no elevador. Conversa interminável ao telefone. Sono que não vem, despertador que toca as seis da manha.
Silencio quando se está sozinho, barulho quando se quer ficar só. Medo de escuro, claridade que incomoda. Ônibus que demora a passar, viajem cansativa. Rua sem saída, sinal vermelho. Abstinência sexual, sexo com um estranho. Telefone que não toca, ligações de engano. Ninguém para conversar, visitas inconvenientes. Papel em branco, lápis sem ponta. Planos para o futuro, lembranças do passado. Paixão não correspondida, amor que não interessa. Saudade de quem está longe, ausência de quem está perto.

Uma crônica de Leandro Santana, na primeira revista da mtv.

28 junho 2007

Oh, Me

If i had to lose a mile
if i had to touch feelings
i would lose my soul
the way i do

i don't have to think
i only have to do it
the results are always perfect
and that's old news

would you like to hear my voice
sweetened with emotion
invented at your birth?

i can't see the end of me
my whole expanse I cannot see
i formulate infinity
and store it deep inside of me

Se eu tivesse que recuar kilometros...
....................................
Se eu tivesse que tocar sentimentos...
....................................
Eu perderia minha alma....
......Do mesmo jeito

Não tenho que pensar..
Só tenho que fazer...
Os resultados são sempre perfeitos...
.....Mas isso não é novidade....

Você gostaria de ouvir minha voz..
Adocicada pela emoção
E inventada em seu nascimento?

Eu não consigo ver onde eu acabo
Minha extensão não dá pra eu enxergar
Eu formulo o infinito
E guardo bem dentro de mim

17 junho 2007

Still

Você é o dano que você causa. Seu brilhantismo e sua frustração, suas bombas que serão atiradas, sua imaturidade e sua indignação, seus desajustes e seus elogios, sua dúvida e sua certeza, sua caridade e seu estupro, sua ganância e sua expectativa. Os vejo desviando os olhares, os vejo encorajando a guerra. Os vejo ignorando seus filhos. Você só é sua alegria e seu arrependimento, sua fúria e sua exaltação. Seu anseio e seu suor, sua descrença e sua religião. Os vejo alterando a história, os vejo abusando da terra. Vejo vocês e sua amnésia seletiva. Você é sua tragédia e sua fortuna. Sua crise e seu deleite. Seus proveitos e seus profetas, sua arte , sua morte e suas decisões. Sua paixão e suas situações difíceis. Sua doença e convalescença. Suas armas e sua luz. Os vejo guardando seus rancores. Os vejo derrotando com suas balas. Os vejo calando suas irmãs. Os vejo mentindo, os vejo os forçando, os vejo culpando uns aos outros...

all I really want

Eu não quero dissecar tudo hoje...Eu não quero te criticar severamente, entenda!! Mas não posso evitar... Lá vou eu saltando antes que o tiro seja disparado!!!
Tudo que eu realmente quero é um pouco de paciência... Um jeito de calar a voz irada... e tudo eu realmente quero é absolvição! [If only I could hunt the hunter!!] Estou frustrada pela sua apatia!!! E to assustada pelos modos corruptos dessa terra. E estou tensa. Os conflitos as loucuras e o som das pretensões desabando ao redor... Você já pensou nas suas contas, no seu ex... Nos seus prazos finais?! Ou quando você acha que vai morrer? Ou você ansiava pela próxima distração ? ... E tudo que eu preciso agora é de uma relação intelectual... de alguém pra cavar um buraco mais fundo... E o que eu não daria para encontrar uma afinidade... Eu não tenho nenhum conceito de tempo além de que ele está voando... [If only I could kill the killer!!] Tudo que eu realmente quero é um pouco de paz, cara... um lugar pra encontrar um denominador comum... E tudo que realmente quero é um pouco de conforto. Um modo de ter minhas mãos desatadas. E tudo que realmente quero é um pouco de justiça...

Alanis Morissete, "All I really want"

15 junho 2007

Desdém!

Todo dia uma estadia
acordando junto com um fardo
o blefe de uma democracia.
Todo dia uma estadia
lutando cotra o títere do meu espelho
que nao reflete minha repugnancia
[tédio, desarmonia]
todo dia numa estadia
caminhando com esse bando concêntrico
sou o desgaste de um abuso
num convívio violado
num sistema, que ja nasci incluso
num contexto, pelos outros criado
sou o fruto
de um lixo semeado
a cada dia uma estadia
uma estadia de aprendizado!
A cada esquina um tirano
enfatizando seu egoísmo viril!
no desleixe de uma sociedade civil!
retratando esse mundo imbecil!!
Todo dia é uma reluta
ou uma forçada aceitaçao
Todo dia é uma estadia
um caos, uma depreçao!
É uma tentativa de enquadramento
no espaço de uma geraçao!




(gabí)

03 junho 2007

Reflexões_andre díspore

''...Em essência, depois de satisfazermos um sonho, a única coisa que teremos será um sonho a menos e, se isso nos parecer perda de tempo, então ao menos admitamos que nossos sonhos são sem sentido, e que não servem para nada além de povoar um mundo poético cuja única função é perpetuar um auto-engano vitalício. A saída lógica desse problema é simples: esperar que aconteça o que de fato acontece – em vez de passar a vida inteira resignado como uma vítima desse mundo real, material, cruel e injusto do qual seremos redimidos por um fator externo miraculoso que incorpora todos nossos desejos não-realizados como, por exemplo, a prometida segunda volta de Jesus, nos recompensando com bem-aventurança por termos vivido ansiosamente como imbecis sem rumo. Quem achar isso uma blasfêmia ridícula de um ateu imoral, então, para variar, abra sua Bíblia e leia o Evangelho com atenção, e verá que o reino dos céus não é apresentado como um lugar real para o qual ganhamos um bilhete de entrada depois de batermos as botas como bons cristãos, mas um estado de espírito, um modo de encarar a realidade. É claro que isso não implica que os valores cristãos sejam dignos de qualquer consideração séria – pois essa coisa chamada cristianismo já está mais vazia que a caixa de Pandora –, mas que a idéia de que seremos satisfeitos e recompensados depois da morte é tão infantil que ninguém consegue acreditar nela na prática – alguns podem dizer que acreditam, gritar que acreditam, se flagelar e jejuar para tentarem provar aos outros que acreditam; mas se acreditassem mesmo, do fundo de suas almas, quando sofressem um acidente, chamariam um padre, não a ambulância. O homem é só um pobre mamífero jogado nesse mundo absurdo sem entender bulhufas do que está acontecendo; um mamífero sem sentido que precisa de sentido; que, como qualquer outro, é cheio de necessidades, impulsos, sentimentos, desejos e expectativas que serão frustrados frequentemente; cheio de idéias, teorias e crenças nas quais muito se mostrará errado; cheio de angústias, dores e misérias que serão consistentemente reais...''

(Pascal)


''Nada é tão insuportável ao homem como quedar-se em pleno repouso; sem paixões, sem ocupação, sem divertimento, sem aplicação. Ele sente então o seu nada, o seu abandono, a sua inutilidade, a sua dependência, a sua incapacidade, o seu vazio. Imediatamente lhe crescerá do fundo da alma o tédio, a vileza, a tristeza,o desgosto, o desânimo, o desespero.''