Teatro para todos
O Festival de Teatro de Floripa acaba hoje, infelizmente, mas devo dizer que adorei as poucas peças que pude assistir. Ontem fui a udesc, assistir ao ‘Circuito 3 em 1’, peças dos acadêmicos.
“Amazônia”
A vingança da feminina natureza contra o masculino capital.
Uma mulher que não aceita a traição e resolve através do sacrifício do seu amante provar que o pior analfabeto é o analfabeto político. E, graças a ele (o analfabeto político) a Amazônia é desmatada e o mundo atônito assiste ao aquecimento global.
A origem dramatúrgica de Amazônia é a apropriação de um texto literário e outro jornalístico. A montagem segue os bons ensinamentos do teatro épico, em direção a uma tendência atual, trabalhando com não atores, corpos desviantes.
Nos informa da situação atual da floresta, cujo desmatamento cresce a cada ano e hoje,
42 % do território já está ocupado por seres humanos! E o principal problema é a contínua exploração e desmatamento ilegal das árvores, para as indústrias madeireiras. Pessoas que nem se importam sequer com o reflorestamento!
O espetáculo ‘Amazônia’ é um grito dos que desejam um basta a tanta insensatez. É uma forma de tentar tocar a alma de todo romântico que tem fé na utopia de um mundo melhor.
“Aquele que diz sim e aquele que diz não”
Com a atuação e direção de Volmir Cordeiro, e a sonoplastia feita pela Gisele Lamb, que tocava uma gaita sinfônica. Eu nem sabia que esses dois eram artistas! =P A interpretação monologa do Volmir foi muito boa. =)
“Palavras, palavras, palavras”
Três macacos enjaulados são submetidos à um experimento cientifico onde devem reproduzir a obra Hamlet, mesmo sem demonstrar o menor conhecimento sobre ela, questionando o real sentido de fazê-lo. Esse texto de autoria do americano David Ives, aborda com ironia um real experimento cientifico realizado na Europa, onde um grupo de cientistas acreditava que chipanzés fechados em uma biblioteca acabariam por reproduzir, num período indeterminado, uma das obras ali contidas.
Mais do que ironizar esse experimento, Ives coloca em cena macacos vivendo situações de submissão. Nessa montagem, os macacos estão em uma Caixa de Skinner, invento utilizado para testar a psicologia dos animais, condicionando-os a realização de determinadas atividades, mediante recompensa. Essa metáfora é trazida a cena e reflete a condição humana em diversos segmentos como sistema capitalista, a hierarquia política, as relações de poder e o universo acadêmico e intelectual.
Na peça, os chipanzés não entendem porque estão ali, não conseguem escrever nada mais que ‘ratatatatatatata’, ganham amendoins e cigarros de presente quando estão tendo crises de sufoco. E por final, um deles termina conformado com a sua condição, e tentando fazer o que eles querem. Outro termina com raiva e tentando descobrir um modo de se vingar. E outro termina louco.
È muito massa! E vale a pena ir lá assistir, hoje é o ultimo dia, e começa as 23:30hrs.

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