05 março 2007

“A insustentável leveza do ser”

“O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sobre ele, nos esmaga contra o chão. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes” .

Esse trecho introduz o livro: ‘A insustentável leveza do ser’, uma obra de Milan Kundera, que conta histórias paralelas do cotidiano da vida de pessoas diferentes, que carregam consigo o peso ou a leveza da existência.
“O mito do eterno retorno (segundo Nietzsche) nos diz, por negação, que a vida, que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não tem o menor sentido”.

Eu adorei ler esse livro, especialmente a primeira parte. E toda vez que falo dele, eu não esqueço dos sorrisinhos super cativantes do Guguts, do Püts e do Édi, (eles sempre falavam desse livro) quando a gente se encontrava em coqueiros, pra tomar um chá e conversar sobre todas as teorias filosóficas refletidas por esses seres tão astutos e sensatos e por mais outros queridos que vagavam pelos corredores daquele apartamento super sensual, onde a energia vibrava tão forte que parecia que a qualquer momento um raio ia cair sobre nossas cabeças. E ia explodir tudo que já haviam construído ali.
Sério, aquele lugar tinha uma energia estranha, quente, forte.
E por ironia do destino, toda aquela sensação, que não apenas eu senti, como desventura não foi uma mera sensação...

Muita saudade eu sinto de todos que compartilharam juntos comigo a amizade, as trocas de idéias, o amor livre, a diversão, os porres, o sexo, a liberdade, a leveza, a transição das relações, os sorrisos,
até o choro e por fim o peso de um triste fim para os nossos mais antigos novos hábitos juntos...


Mas enfim, não existe perfeição para uma vida na terra.
Porque estamos em constante transição, inevitavelmente numa estrada de perdição. Ninguém pode ter certeza do que faz bem e do que faz mal. O sorriso de hoje pode se tornar a lágrima de amanhã.
A gente anda em círculos, buracos, destruindo muros, se quebrando, caindo, machucando e levantando com as marcas que o tempo faz questão de tatuar. Com acertos, erros, trajetos infelizes ou venturosos, incertezas, dificuldades, descasos. Mas é o caminho que surge para se percorrer.
Sem culpa, sem fardo, sem nexo, sem solução, é a vida. É a morte. Que não se sustenta, tampouco se evita.



(gabí)

3 comentários:

Anônimo disse...

Aí guria! Eu sabia que tu não servia só para fazer festas, festinhas e derivados...Sempre vi mais q a Gabi na Gabi. Transmutação total de valores...desde o início da filosofia (e de tudo o mais) tem-se tentado explicar o básico...Mas só se tem criado mais dogmas e grilhões. Por isso devemos agir por nós...Beijos..té logo

Anônimo disse...

ate hoje, quando junta dois seres que percorreram os corredores daquele ap, durante as conversas aleatorias, sempre umas caem na ABADIA e os tempos da loucura.
o livro eu ja peguei emprestado do gugutz, e no meu aniversario ganhei um com dedicatoria do pitz.
beijos garotinha, agente se cruza

Ljana Carrion disse...

linda!!! esse liveo, eu sei que nao li ainda !! mas ouvir tu falando dele com os olhos brilhando foi lindo! e realmente fez entrar na minha cabeça e pensar, a gabí vai ter que me emprestar..
e realmente, concordo contigo sobre a casa...
=)

tu és especial demais gabí!!!!

um super beijo de quem te admira demais!